Os CHINELOS de NERUDA

 

casa de neruda april2011

Invado quarto do Poeta:

Cama de casal

—mistério de musas—

Colcha

—quadrados, bordados, franjas—

Dois travesseiros

—suor, ronco, baba.

Cores rasgam simplicidade .

 

Ali, bem ali ,

Sob mesa de cabeceira

—quase caixa—

repousam cansados

chinelos de muitas insônias.

 

Devagarzinho,

Meu pés acariciam

Memórias alheias.

Cerro olhos.

Ninguém me vê.

E lá me vou , pela janela.

 

Poeta sussura,

Só para mim:

Traz, numa concha,

esse Pacífico de sonhos.”

 

Volto.

Será?

Sinto, no bolso rasgado,

Brisa de sal em espuma,

Lascas de valvas

Em sonolentas solas

E o som de passos do Poeta.

Será?

 

 

Fotografia de La Sebastiana (uma das casas de Pablo Neruda), Valparaíso, Chile, por Mausilinda.

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